Os primórdios na mítica Dazibao, ou Pequeno histórico de um livreiro

Rodrigo Ferrari é carioca da Tijuca. Mudou-se com os pais para Brasília aos 8 anos mas sempre manteve relação familiar com a cidade. Estudou História na Federal de Ouro Preto e depois na UFRJ, e ao contrário do que muitos imaginam, não concluiu o curso. Foi nessa época que conheceu seu grande amigo e companheiro de todas as horas Luiz Antonio Simas. Em 1992, foi contratado para trabalhar na nova filial do bairro de Botafogo da livraria Dazibao, mítica casa de livros carioca, que marcou época. Desde então Rodrigo é livreiro e editor, como reza a tradição carioca do vendedor e fazedor de livros, iniciada com Francisco de Paula Brito.

Em 1995 tem sua primeira experiência editorial, junto com Egeu Laus, o fanzine Roda de Choro, totalmente dedicado ao gênero. A publicação teve seis edições e até 1997 agregou a nata da música brasileira, sendo seu Conselho Editorial formado por Ary Vasconcelos, Henrique Cazes, Hermínio Bello de Carvalho, Ilmar Carvalho, Jairo Severiano, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Pedro Amorim e Sergio Cabral.

Depois de trabalhar também na filial da Dazibao do Paço Imperial, na virada de 1997 para 1998 passa a administrar uma pequena loja dentro do Centro de Arte Helio Oiticica onde, junto com Daniela Duarte, inicia sua trajetória de dono de livraria. Conforme já imaginara desde os tempos de Botafogo, a minúscula sala seria especializada em temas cariocas e viria a se chamar Folha Seca, inspirada num chute de Didi e num samba de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho.

Logo depois, em 1999, por influência do amigo Hermínio Bello de Carvalho, Daniela e Rodrigo iniciam a Edições Folha Seca, com o lançamento de dois livros do poeta (um inédito de poemas, Contradigo, e a reedição do Cartas cariocas para Mario de Andrade (crônicas), e no fim do ano o sensacional 171, Lapa-Irajá, de Nei Lopes.

Na virada de 2003 para 2004 acontece o primeiro divisor de águas da história da livraria, com a mudança para o número 37 da rua do Ouvidor, a mais carioca das ruas. Nesse endereço a Folha Seca encontra sua história, transformando-se aos poucos também na mais carioca das livrarias.

Em 2009, outro divisor de águas nessa já longa trajetória: a saída de Daniela Duarte, que foi seguir sua brilhante carreira de editora de livros, uma das melhores editoras do planeta, diga-se de passagem. Junto com Leo Boechat, Rodrigo continua tocando a Edições Folha Seca e de lá para cá já foram mais de 30 títulos publicados, como as biografias de Áurea Martins e Moacir Santos, uma série sobre a cena teatral carioca do século XIX, livros de futebol e de política carioca. Em 2011, por iniciativa do vereador Eliomar Coelho e por serviços prestados frente à Folha Seca, recebe da municipalidade o conjunto de medalhas Pedro Ernesto. Sua parceria com o caricaturista Cássio Loredano também já é famosa e foi responsável por grandes feitos da casa, como os banners anuais em homenagem a uma personalidade do universo da livraria e os cartões postais comemorativos, sempre ilustrados pelo craque Loredano.

Com a pandemia, a livraria está funcionando em horário reduzido, de segunda a sexta, das 11 às 16 horas.

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